domingo, 17 de abril de 2011

Só Usamos 10% do Cérebro? (2)

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Só Usamos 10% do Cérebro? (2)
O 10% das Células do Cerebro São Neuronas

As principais áreas estão cercadas por áreas secundárias; de modo que, por exemplo, a informação das imagens percebidas pelo olho é enviada para as principais áreas visuais, e depois é analisado nas áreas visuais secundárias onde a reconstituição tridimensional do objeto percebido tem lugar.
A Informação da memória do sujeito circula no cérebro para reconhecer objetos; enquanto que, a informação semântica que está nas áreas de linguagem entra em ação para que a pessoa poda rapidamente dar nome do objeto visto.

Ao mesmo tempo, as áreas do cérebro que lidam com a postura e movimento estão em ação sob o efeito dos sinais nervosas do corpo inteiro, o que permite a pessoa saber se nós estamos sentados ou em pé, com a cabeça voltada para a direita ou à esquerda, etc. Em vista disso, uma descrição parcial, fragmentada das áreas do cérebro pode levar a uma interpretação errada de como ele funciona o cérebro todo.




O 10% das Células Nervosas do Cerebro São Neuronas

Outra origem do mito pode ser encontrada no fato do que o cérebro é composto de dez células gliais (neuróglia) para cada neurônio. As células gliais têm uma função nutricional e de apoio dos neurônios, mas eles não transmitem nenhuma informação. Em termos de transmissão dos impulsos nervosos apenas os neurônios são os que transmitem impulsos (ou 10% das células que compõem o cérebro), de modo que este oferece mais uma fonte de mal-entendidos de onde o "mito de 10%", pode vir.

No entanto é preciso lembrar que esta visão das funções da célula é simples: enquanto as células gliais desempenham um papel diferente daquele dos neurônios, aquelas funções Não São menos essenciais para o funcionamento do todo o sistema nervoso.

"Understanding the Brain", The Birth of a Learning Science, 2007, page 113

domingo, 27 de março de 2011

Só Usamos 10% do Cérebro?

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Só Usamos 10% do Cérebro?

Costuma-se dizer que os seres humanos só usam 10% (às vezes 20%) do seu cérebro. Onde é que esse mito vem? Alguns dizem que veio de Einstein, que respondeu alguma vez durante uma entrevista que ele só usou 10% de seu cérebro. As pesquisas inicias sobre o cérebro podem ter favorecido esse mito. Em 1930, Karl Lashley explorou o cérebro com choques elétricos. Como muitas áreas do cérebro não reagiram a esses choques, Lashley concluiu que essas áreas não tinham função. Isto foi como o termo "Córtex Silenciosa " entrara em circulação. Esta teoria é agora considerada incorreta. Interpretações dúvidosas do funcionamento do cérebro também alimentaram esse mito. Hoje, graças a técnicas de imagiologia, o cérebro pode ser descrito com precisão em suas áreas funcionais, no tempo real. A cada sentido corresponde uma ou várias áreas funcionais principais: a área visual primária, que recebe as informações percebidas pelo olho, uma área auditiva primária, recebe as informações percebidas pelo ouvido, etc. Várias regiões cerebrais estão ligados à produção e compreensão da linguagem. Por que algumas vezes dito funcionamento é descrito separadamente (pelos fisiologistas), e entre o público se lembra estas descrições parciais, podem ter a impressão de que as áreas do cérebro funcionam em forma consecutiva, área por área. Isso seria coerente com a imagem que, em tempo real, apenas uma pequena região do cérebro está ativo, mas isso não acontece.
"Understanding the Brain", The Birth of a Learning Science, 2007, page 113

domingo, 30 de janeiro de 2011

No Aprendizado Humano Não Existem Períodos Críticos

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Há Períodos Críticos No Aprendizado? (2)
Na aprendizagem: As Aves Têm Períodos Críticos, O Homem Tem Períodos Sensíveis

O conceito de "Período Crítico" remonta-se às experiências conduzidas na decada de 1970 pelo etólogo Konrad Lorenz, e são relativamente bem conhecidos pelo público em geral.

Ele observou que os filhotes de pato depois da eclosão se tornaram ermanentemente conectado ao objeto proeminente móveis do ambiente, geralmente a mãe-pata, que Lorenz anexo denominado "Impressão". Ao tomar o lugar da mãe, Lorenz conseguiu tornar-se ligado a os filhotes que o seguia por toda parte. O período que permite que essa ligação é muito curto (após da eclosão); uma vez no local, era impossível mudar o objeto de apego e os filhotes seguem permanentemente ao substituto, em vez de sua mãe. O verbete "Período Crítico" é adequado para um caso como um evento (ou sua ausência) durante um período específico provoca uma situação irreversível.



A aquisição de competências é resultado da formação e do reforço das ligações nervosas certas, mas também adequada poda de outras sinapses. Há uma distinção que precisa ser feita entre dois tipos de sinaptogêneses - aquela que ocorre naturalmente no início da vida e outra resultante da exposição a ambientes complexos ao longo da vida. Os investigadores referem-se ao primeiro como "Aprendizagem Experiência-Expectante" e ao segundo como "Aprendizagem Experiência-Dependente".

A Gramática se aprende mais rápido e fácil até aproximadamente os 16 anos de idade, enquanto a capacidade de enriquecer o vocabulário se pode melhorar ao longo da vida (Neville, 2000).

A Gramática dá um exemplo de Aprendizagem Período Sensível e é Experiência-Expectante: para aprender-la sem excessiva dificuldade, deve idealmente ocorrer em um lapso de tempo (o período sensível). A Aprendizagem Experiência-Expectante é, portanto, ideal durante determinados períodos da vida.

O aprendizado que não depende de um período sensível, como a aquisição de vocabulário, é "Experiência-Dependente": quando o mais fácil aprendizado não está restrita por idade, e esse tipo de aprendizagem pode até mesmo melhorar à medida que os anos passam.

Existem "Períodos Críticos", como fases unicas durante as quais certos tipos de aprendizagem só pode ocorrer com sucesso? Pode certas habilidades ou mesmo o conhecimento unicamente é adquirido durante relativamente curto, dentro de as lhamadas "janelas de oportunidade" que, em um estágio preciso do desenvolvimento do cérebro em seguida se fechem isso vai ser de uma vez e para sempre?



No presente a evidência que existe do aprendizado nos humanos podemos dicer que Não temos períodos críticos, nossa espécie tem a capacidade de aprender ao longo da vida; Temos períodos sensíveis para os processos que precisamos aprender, isso é mostrado pela plasticidade do cérebro saudável ao longo da nossa vida.

"Understanding the Brain", The Birth of a Learning Science, 2007, page 113

domingo, 12 de dezembro de 2010

Quando Determinadas Questões Devem Ser Aprendidas?

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Há Períodos Críticos No Aprendizado? (1)

Quando Determinadas Questões Devem Ser Ensinadas e Aprendidas?


A influência da sinaptogênese intensa nos primeiros anos da vida sobre o cérebro adulto ainda não é conhecida, mas sabe-se que os adultos tem menor capacidade para aprender certas coisas. Por exemplo quem começa a aprender uma língua forânea a idade adulta, provavelmente sempre terá um "sotaque estrangeiro"; o virtuosismo do aluno adulto que inicia o aprendizado de um instrumento, muito provavelmente, nunca seja igual comparado com uma criança, com a mesma formação musical desde os 5 anos.

Isso significa que há períodos de vida, depois dos quais certas tarefas já não podem ser aprendidas? Ou meramente as tarefas são aprendidas de forma mais devagar ou diferente em diversas etapas da vida?

Durante muito tempo acreditou-se que o cérebro perdia neurônios conforme aumentava a idade; não obstante, os achados das novas tecnologias têm desafiado esta afirmação. Terry e seus colegas mostraram que o número total de neurônios em cada área do córtex cerebral não é dependente da idade, mas isso acontece apenas com o número dos neurônios "grandes". As células nervosas diminuem, o que produz o aumento do número de neurônios pequenos, no entanto o número total de todos os neurônios permanece igual.

Na realidade recentemente foram encontrados que certas partes do cérebro, como o hipocampo, possuem capacidade de gerar novos neurônios durante toda a vida. O hipocampo, entre outras coisas, esta envolvida na memória espacial e nos processos de navegação (Burgess e O'Keefe, 1996).

Uma Pesquisa que compara os motoristas de táxi de Londres com os outros cidadãos elegidos em forma aleatória sugere uma forte relação entre o tamanho relativo e a ativação do hipocampo, assim como uma boa capacidade de navegação; por outro lado, existe uma correlação positiva entre o alargamento do córtex cerebral auditivo e o desenvolvimento do talento musical; há crescimento de áreas motoras do cérebro após um treino intenso de movimentos dos dedos. Neste último caso, as mudanças na configuração da rede de neurônios ligados à aprendizagem pode ser medida usando imagens do cérebro a partir do quinto dia de treinamento, ou seja, após um período muito breve de aprendizagem.

Os processos que remodelam o cérebro - sinaptogênese neuronal, poda, desenvolvimento e alteração - são agrupados sob o mesmo termo: "Plasticidade Cerebral". Numerosos estudos têm demonstrado que o cérebro permaneceu plástico ao longo da vida, tanto em termos de número total de neurônios como das sinapses.

"Understanding the Brain", The Birth of a Learning Science, 2007, page 112

domingo, 7 de novembro de 2010

Tudo é Decidido Dentro Dos Três Primeiros Anos?

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Não Há Tempo a perder!
1er Neuromito: "Tudo O Que é Importante Sobre O Cérebro é Decidido Dentro Dos Três Primeiros Anos"

Se você digita em seu computador as palavras-chave “Do Nascimento Até os Três Anos" em um motor de busca, recebe um número impressionante de web sites, explicando que para seu filho os três primeiros anos são cruciais em seu desenvolvimento futuro e que praticamente tudo é decidido nesta idade. Você também vai encontrar muitos produtos comerciais, preparados para estimular a inteligência de seu menino, antes de chegar a essa idade limite.



Alguns fenômenos fisiológicos que ocorrem durante o desenvolvimento do cérebro podem, de fato, levar a crença de que as fases críticas da aprendizagem ocorrem entre o nascimento e os três anos de idade. Mas esta afirmação pode ser facilmente exagerada e distorcida. Ela recebe status mítico, quando é usado em demasia pelos formuladores de políticas educativas, educadores, fabricantes de brinquedos, e os progenitores. Os pais oprimem a seus filhos com ginástica para recém-nascidos, y os estimulam com música em gravadores e leitores de CD perto da cama do bebê. Sem embargo, Quais são os fenômenos fisiológicos que as pesquisas hão revelado y que são importantes na persistencia desta crença?




O componente básico de processamento de informações no cérebro é a célula nervosa ou neurônio. Um cérebro humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios.

Cada um pode ser conectado com milhares de outros, o que permite que a informação nervosa circule em forma intensa e em várias direções ao mesmo tempo. Através das conexões entre os neurônios (sinapses), os impulsos nervosos viajam de uma célula para outra servindo para o desenvolvimento de competências e apoiando a capacidade de aprendizagem. O aprendizado é a criação de novas sinapses, com o fortalecimento ou enfraquecimento das sinapses existentes.

Em comparação a um adulto, o número de sinapses em recém-nascidos é baixo. Após dois meses de crescimento, a densidade sináptica do cérebro aumenta exponencialmente e ultrapassa a de um adulto (com um pico em dez meses). Então se produz um declínio constante até a idade de 10 anos, quando o “número das sinapses do adulto” é atingido. Ocorre depois uma relativa estabilização. O processo pelo qual as sinapses são produzidas em massa é chamado sinaptogênese. O processo pelo qual as sinapses declinam é referido como a poda. Todo isto é um mecanismo natural e necessário para o crescimento e desenvolvimento.


A ciência, durante muito tempo, acreditava que a número máximo de neurônios era fixado no nascimento, ao contrário da maioria outras células, não se pensava que os neurônios se regenerem, e que as pessoas vão a perder neurônios regularmente. Da mesma forma, após uma lesão do cérebro, a destruição das células nervosas não seria substituída. Nos últimos vinte anos, os resultados mudaram essa visão, revelando até então insuspeitos fenômenos: novos neurônios podem aparecer em qualquer momento da vida de uma pessoa (neurogênese) e, em alguns casos, o número de neurônios (pelo menos) não flutua.



Dito isto, a sinaptogênese é intensa nos anos iniciais da vida de um ser humano. Se a aprendizagem fosse determinada pela criação de novas sinapses - uma idéia intuitivamente atraente - há um pequeno passo para deduzir que é nos primeiros anos de uma criança é quando o/a menino(a) é mais capaz de aprender. Outra versão, mais atual na Europa, é a visão que as crianças muito jovens devem ser estimuladas constantemente em seus primeiros dois a três anos, a fim de reforçar as suas capacidades de aprendizagem para a vida subseqüente. Na verdade, estas afirmações vão além da evidência científica real.




Um experimento conduzido há vinte anos pode, no entanto, alimenta este mito. O estudo de laboratório com roedores mostrou que a densidade sináptica pode aumentar quando os ratos foram colocados em um ambiente complexo, definido no presente caso, como uma gaiola com outros roedores e diversos objetos para explorar. Quando esses animais foram posteriormente testados em um labirinto da aprendizagem, tiveram um desempenho melhor e mais rápido do que outros ratos que pertencem a um grupo controle e que vivem em "pobres" ou "isolados" ambientes (Diamond, 2001). A conclusão foi que os ratos que vivem em entorno "enriquecido" tiveram aumento da densidade sináptica e tem, portanto, mais capacidade para executar a tarefa de aprender.



Os elementos estavam no local certo para criar um mito: uma grande experiência, bastante fácil de entender, mesmo de difícil realização, e os resultados desse projeto de acordo com o esperado.



No entanto, O experimento ocorreu num laboratório em condições altamente artificiais. E ainda mais foi realizado em roedores. Os não-especialistas apoiaram que os dados experimentais em ratos, obtidos com precisão científica inquestionável, combinado com as idéias atuais sobre o desenvolvimento humano se pode concluir que a intervenção educativa, para ser mais eficaz, deve ser coordenada com a sinaptogênese.

Como alternativa, eles sugeriram que, ambientes "enriquecidos" salvam as sinapses da poda durante a infância, ou até mesmo criam novas sinapses, e como resultado desta ação contribuem com aumento da inteligência e maior capacidade de aprendizagem. Este é um caso de utilização de fatos dum estudo válido para ser extrapolado até conclusões que vão muito além da evidência original.

Os limites e as lições deste caso são bastante claros. Há poucos dados neurocientíficos em humanos sobre a relação preditiva entre a densidade sináptica no início da vida e o melhoramento da capacidade de aprendizagem. Da mesma forma, há poucos dados disponíveis sobre a relação preditiva entre a densidade sináptica em crianças e adultos. Não há nenhuma evidência direta da neurociência, tanto para animais ou seres humanos, que liga a densidade sináptica adulto com uma maior capacidade de aprendizagem. Tudo isso não significa que a plasticidade do cérebro, e sinaptogênese em especial, não poderia ter alguma relação com a aprendizagem; não obstante, com a força da evidência disponível, as suposições feitas na identificação de um papel tão determinante entre o nascimento e os três anos no desenvolvimento cerebral não pode ser sustentado.




Para maior informação, o leitor deve consultar o livro de John Bruer “The Myth of the First Three Years” (2000). Ele foi o primeiro que sistematicamente questionou este mito, que lhe apresentou como "enraizado em nossas crenças culturais sobre as crianças e a infância, em nosso fascínio pelo mente-cérebro, e em nossa necessidade constante de encontrar respostas tranqüilizadoras para perguntas inquietantes”

Bruer remonta-se ao século 18 para encontrar sua origem: nessa época já se acreditava que a educação da mãe era a força mais poderosa para mapear a vida e o destino de uma criança; filhos bem sucedidos foram aqueles que tinham interagido "bem" com sua família. Ele (Bruer) elimina um por um os mitos com base em interpretações defeituosas de sinaptogênese que se produz cedo.

"Understanding the Brain", The Birth of a Learning Science, 2007, pages 111 - 112