sábado, 24 de abril de 2010

Podemos Melhorar Nossa Capacidade de Aprender? (1)

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Podemos Melhorar Nossa Capacidade de Aprender? (1)

Prestar Atenção é Essencial!

Tomando en conta o que sabemos sobre a aprendizagem e a memória, é possível a otimização da capacidade humana para aprender? O aprendizado é simplesmente o Quociente de Inteligência (QI) em ação ou é uma habilidade que pode ser afiada? Estamos limitados por nossas habilidades inatas ou há intelectualmente alguma possibilidade de melhorar dita qualidade?

Evidências recentes mostram que as estratégias para melhorar a memória dependem duma maior compreensão da maneira como o cérebro humano funciona. Algumas estratégias estão baseadas no comum senso e já tem amplo uso, mas algumas delas são menos intuitivas.

Toda vez que há um mercado bilionário em dólares para: fomentar o consumo das vitaminas para aprimorar o rendimento do cérebro, seminários sobre o realce da memória, e alimentos especiais com o fim de aumentar o poder do cérebro, talvez valha a pena rever o que é realmente conhecido.

Talvez a lição mais importante seja: Prestar Atenção é Essencial!. A atenção é bastante seletiva, A atenção é bastante seletiva, filtra as informações recebidas e permite que somente a informação relevante obter acesso a memória de trabalho. A intensa concentração há demonstrado aumentar a velocidade na qual uma pessoa pode aprender novos fatos e idéias; mais a atenção tem pouco impacto na aprendizagem de novas habilidades motoras. A memória explícita é, portanto, mais vulnerável à falta de atenção do que é a memória implícita. O professor hábil pode usar esta característica da mente humana, ajudando os alunos a se concentrar em conceitos ou idéias que são particularmente difíceis.

"THE EVOLVING BRAIN", The known and Unknown, R. Grant Steen, 2007, pages 133 - 134

quarta-feira, 31 de março de 2010

Tipos de Memória

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Tipos de Memória
O que é aprendizagem?

Aprender se produz de muitas formas e tem muitas definições, então a aprendizagem pode ser pensada como a retenção de memórias explícitas e implícitas. Uma memória explícita é uma imagem na mente ou algo que pode ser descrita em palavras, está constituída por um objeto, um lugar ou um evento, e se tem certa concretude dela. Uma memória implícita é mais difícil de definir, toda vez que não se pode ter consciência dela, esta pode ser uma tendência ou hábito de pensamento, ou pode até ser uma melhora na capacidade para discriminar entre os estímulos que inicialmente foram percebidos como iguais.

Em qualquer caso, é evidente que a aprendizagem não é apenas a construção de uma coleção de fatos: ele tem mais a ver com o estabelecimento de novos padrões de pensamento.

A aprendizagem tem sido definida como a ter plasticidade no comportamento, embora esta definição ignore qualquer outra forma de aprendizagem que não tenha efeito sobre o comportamento.

A melhor definição poderia ser reconhecem que a aprendizagem é a memória e as lembranças (memória explícita) que persistem sobre escalas de tempo múltiplas.

Memória de curto prazo: Esta poderia durar apenas alguns segundos. Por exemplo: você olha o relógio para responder a uma pergunta sobre a hora e segundos depois você pode não lembrar mais.

Memória de trabalho: Se a memória dura mais, digamos de segundos a horas. Citando caso análogo: se você leva um recado para alguém, você pode esquecer a mensagem logo que foi transmitida, mesmo se você se lembrava da mensagem durante horas antes de sua entrega.

Memória de longo prazo: Se a lembrança dura mais tempo ainda, de horas a meses. Um exemplo poderia ser seu número de telefone, que você é capaz de lembrar sem esforço.

Memória de longa duração: Se ha feito a distinção entre a memória de longo prazo e de longa de duração. A memória de longa duração pode representar alguma forma de fossilização da memória de longo prazo. Citando caso análogo: poderia ser que você se lembre do número de telefone da casa de sua infância, e de isso faz muitos anos.

É possível que a memória de trabalho, memória de longo prazo e memória de longa duração sejam simplesmente diferentes fases da memória de longo prazo, apesar disso existe talvez uma distinção legítima entre estas entidades.

"THE EVOLVING BRAIN", The known and Unknown, R. Grant Steen, 2007, pages 128 - 129




Nota: (comentário pessoal)

Em nossa era de dominação da mídia, está se tornando cada vez mais difícil conseguir que as lembranças se passem para a memória de longo prazo (realizando assim uma aprendizagem eficaz). Porque há agora cada vez mais estímulos.

Esta tendência vai contra a memória de longo prazo, onde você precisa dum tempo (que varia em cada pessoa) para esta nova informação seja conservada. Nossa atenção agora está influenciada pelos constantes estímulos de natureza visual e / ou auditiva.

Tenho a impressão de que esses agentes (sobretudo os visuais) estão se tornando menos eficazes, portanto, requer cada vez maior quantidade e intensidade destes estímulos para ter um efeito semelhante.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Conclusão: Aprendizagem de Base Cerebral

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Conclusão: Aprendizagem de Base Cerebral
Departamento de Educação do Condado de Sonoma, Califórnia, USA
Tradução: Pedro Lourenço Gomes

O "aluno de base cerebral" reduz a marcha sob ameaças, aprende com acontecimentos periféricos, tem um cérebro singular, aprende através de processos conscientes e inconscientes, tem diversos tipos de memória, e aprende melhor quando o conteúdo se encaixa na experiência. É essa pessoa que está em nossas salas de aula.

Se isso for verdade, o que é a aprendizagem? Nós chegamos à noção de que a aprendizagem é uma expansão do conhecimento natural. Desejamos deixar claro que estamos sempre expandindo o que sabemos. O conhecimento natural é aquilo que utilizamos para dar sentido às nossas vidas. É o que conhecemos profunda e significativamente. A aprendizagem enquanto expansão do conhecimento natural não significa apenas informações que memorizamos; significa algo que podemos utilizar.



Então perguntamos: "O que está envolvido?" Procuramos o significado porque vimos que o significado é o tema crucial da aprendizagem. Há três elementos: o conhecimento de superfície consiste de informações e procedimentos. A isso tem se limitado a educação. Se bastante disso for levado ao aluno, ele de algum modo vai processá-lo e retê-lo. O significado profundo inclui os impulsos, propósitos, valores, e crenças de quem aprende - a maneira como padroniza e vê o mundo. Quando esse "significado profundo" se conecta com o "conhecimento de superfície" temos o que chamamos de significado sentido, que é a experiência do "Ah!", que definimos como aprendizagem.

A verdadeira aprendizagem, como é encarada do ponto de vista do cérebro operante, é ver os hemisférios em sincronia. As ondas cerebrais se sincronizam naquele momento do "Ah!": o que sinto, o que penso, a minha hipótese - tudo se conecta às informações e eu digo "Ah, entendi."



É isso que está envolvido na expansão do conhecimento natural. Está bem que a criança memorize certas coisas, mas até que elas se conectem com seu significado e sua predisposição, a verdadeira guinada para a aprendizagem não ocorre. A criança pode estudar todo tipo de coisas sobre ciência, mas até que essas coisas façam sentido elas são apenas coisas memorizadas, e você não pode generalizar a partir delas para alcançar outras experiências.

Então observamos o que deveria acontecer no ambiente da aprendizagem, na sala de aula, para que a expansão do conhecimento natural ocorresse. Como você maximiza as condições de aprendizagem? Identificamos três fatores: imersão em experiências complexas, baixa ameaça/alto desafio, e processamento ativo.



A imersão orquestrada em experiências complexas significa que eu, enquanto professor, me sento antes e planejo a aula. Tenho que pensar nela antes e reunir os materiais a fim de criar o tipo de ambiente de conhecimento natural que permite que meus alunos façam o maior número possível de conexões e construam seus próprios significados. Também preparo as instruções antes, para que eu não interfira com o grupo. Uma vez que eu faço isso, a lição toma conta de si mesma e parece natural. Por que isso é "complexo"? Complexo significa que elas passam por todo tipo de nível. Em termos de princípios cerebrais, as emoções dos alunos estão envolvidas quando se lembram de alguma coisa; estão padronizando a seu próprio modo; estão fazendo conexões múltiplas. Então "experiências complexas" significam que são interatuantes, que a aprendizagem é orientada para a atividade; eles estão procurando globalmente por significado e usando a biblioteca à procura de fontes. Esta é uma maneira diferente de ensinar.

A outra coisa necessária para que se utilize ao máximo o cérebro é o que chamamos de alerta relaxado. Há pouca ameaça envolvida na atividade. Você não avisa que vai haver uma prova. Você não tem que fazer uma lista que seja certa ou errada. Os resultados da atividade estão em aberto, e tudo que dela resultar tem valor. Mas apenas remover a ameaça não é o suficiente; você tem que lançar o desafio.



O processamento ativo é a metacognição - recostar-se e dizer: "O que aprendi, e como aprendi? Que outras conexões existem? De que outra maneira posso fazer isso?" Isso é muito importante para a consolidação da aprendizagem, para uma expansão relacionada a ela e para que se façam conexões adicionais. É isso que os defensores do pensamento crítico advogam. Vamos além, incluindo a reflexão e a análise de temas interpessoais.

Não há como fazer uma Instrução Baseada no Cérebro. Mas existem regras. A própria natureza da pedagogia voltada para a expansão do conhecimento natural significa que o aluno está no centro de qualquer ensino que faça genuínas conexões.



No futuro, todos nós - professores, pesquisadores, administradores, pais, e comunidades - teremos que modificar nossa visão da aprendizagem. Isso significa ir além de nossas experiências como alunos de uma escola e literalmente "inventar" ou orquestrar ambientes de aprendizagem que finalmente capitalizem a imensa capacidade de nossos cérebros para aprender.

"http://www.talkingpage.org/artic011.html", Tradução: Pedro Lourenço Gomes

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os Doze Princípios Da Aprendizagem De Base Cerebral


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Os Doze Princípios Da Aprendizagem De Base Cerebral
Departamento de Educação do Condado de Sonoma, Califórnia, USA
Tradução: Pedro Lourenço Gomes

Princípio Um: O cérebro é um processador paralelo.

Princípio Dois: A aprendizagem envolve toda a fisiologia.

Princípio Três: A procura por significado é inata.

Princípio Quatro: A procura por significado acontece por "padronização".

Princípio Cinco: As emoções têm importância crítica na padronização.

Princípio Seis: Todo cérebro percebe e cria simultaneamente partes e todos.

Princípio Sete: A aprendizagem envolve tanto a atenção concentrada como a atenção periférica.

Princípio Oito: A aprendizagem sempre envolve processos conscientes e inconscientes.

Princípio Nove: Temos pelo menos dois tipos de memória: um sistema de memória espacial e um conjunto de sistemas para memória mecânica (NT - aprender de cor).

Princípio Dez: O cérebro entende e lembra melhor quando os fatos e as habilidades estão encaixados na memória espacial natural.

Princípio Onze: A aprendizagem é melhorada com desafios e inibida com ameaças.

Princípio Doze: Todo cérebro é singular.



Um Princípio Um: O cérebro é um processador paralelo.
Pensamentos, intuições, predisposições, e emoções operam simultaneamente e interagem com outros modos de informação. O bom ensino leva isso em consideração. Por causa disso é que falamos do professor como um orquestrador da aprendizagem.



Dois Princípio Dois: A aprendizagem envolve toda a fisiologia.
Isso significa que a saúde física da criança - a quantidade de sono, a nutrição - afeta o cérebro. Os estados de espírito também. Somos fisiologicamente programados, e temos ciclos que precisam ser respeitados. Um adolescente que não durma o suficiente em uma noite não absorverá novas informações no dia seguinte. A fadiga afetará a memória do cérebro.



Três Princípio Três: A procura por significado é inata.
Isso significa que estamos naturalmente programados para procurar por significado. Esse princípio se orienta para a sobrevivência. O cérebro precisa do que é familiar, e automaticamente o registra, ao mesmo tempo em que procura estímulos adicionais e reage a eles. O que isso significa para a educação? Significa que o ambiente da aprendizagem precisa fornecer estabilidade e familiaridade. Devem-se fazer preparativos para se satisfazer a sede de novidades, descobertas, e desafios. Ao mesmo tempo, as aulas devem ser estimulantes e significativas, oferecendo aos alunos diversas opções.

O trabalho de Marian Diamond é pioneiro no sentido de que ela demonstra que os animais que estavam em ambientes mais ricos, isto é, tinham jaulas mais arejadas, mais atenção, uma chance de brincar livremente ou de pular sobre obstáculos, apresentaram um maior crescimento de células cerebrais. Quando o cérebro desses ratos foi comparado com o de ratos que estiveram em jaulas escuras, que foram isolados, que não tiveram a oportunidade de brincar, os ratos do ambiente rico apresentaram modificações corticais. Tinham um número maior de células de glia, e também um número maior de conexões.

Queremos saber o que as coisas significam para nós. Em educação, uma das coisas que temos que admitir é que as crianças tenham experiências ricas, e então temos que lhes dar tempo e oportunidade para compreenderem suas experiências. Elas têm que ter oportunidade para refletir, para ver como as coisas se relacionam. Uma das mais ricas fontes de aprendizagem, do ponto de vista do cérebro, é a aprendizagem que temos a partir dessas experiências.



Quatro Princípio Quatro: A procura por significado acontece por "Padronização".
A "Padronização" se refere à organização e à categorização das informações. O cérebro tem resistências quanto à imposição de padrões sem significado. Por "sem significado" queremos dizer informações isoladas e não relacionadas. Quando a capacidade natural do cérebro de integrar informações é evocada na aprendizagem, grandes quantidades de informações e atividades aparentemente não relacionadas ou estocásticas podem se apresentar e ser assimiladas. O cérebro tenta tirar sentido das informações reduzindo-as a padrões familiares.

A padronização é generalizada. Queremos impor nossos padrões ao que vemos, e quebrar os padrões é muito difícil. É como se passássemos nossos primeiros anos como um sistema aberto que absorve informações e experiências e tira conclusões, e então passássemos o resto de nossas vidas tentando provar que o que aprendemos se aplica.

O processo ideal de aprendizagem é apresentar as informações de uma maneira que permita que o cérebro extraia padrões delas, mais do que tentar impingí-los. O cérebro é capaz de absorver enormes quantidades de informações quando elas se relacionam de uma maneira que o cérebro possa padronizar apropriadamente.

As idéias que estão por trás do ensino temático e do currículo integrado se baseiam nesse princípio de procura por padrões e visão de padrões interrelacionados. Um tópico pode estar relacionado a todo tipo de diferentes tópicos, e quando agimos desse modo o cérebro tende a lembrar muito mais coisas. Essa é uma maneira de ensinar ciência, literatura e estudos sociais - fazer deles um conjunto e lhes dar significado. A padronização está por trás disso.



Cinco Princípio Cinco: As emoções têm importância crítica na padronização.
Uma das coisas que eu gostaria de eliminar é a noção de domínio afetivo, domínio cognitivo, e domínio psicomotor. Ensinaram-nos isso por diversos anos, apesar das evidências das pesquisas cerebrais indicarem que não se trata de nada disso. No cérebro não podemos separar nossa emoção da cognição. É uma rede de fatores que interagem. Tudo possui algum elo emocional. De fato, muitos pesquisadores do cérebro hoje acham que não existe memória sem emoção. São as emoções que nos motivam a aprender, a criar. Elas fazem parte de nossos estados de espírito. Elas são nossa paixão. Elas são uma parte do que somos enquanto seres humanos. Precisamos entender mais sobre elas e aceitá-las.

Um dos problemas que tenho com a psicologia cognitiva é que ela tenta explicar o papel das emoções ao mesmo tempo em que adere a um modelo científico muito tradicional: separe-as, olhe as partes, e elas dirão tudo sobre a totalidade. Tente fazer isso com conceitos como amor e compaixão.

Outra coisa importante em termo de emoções é que damos apoio uns aos outros. Somos criaturas sociais. Precisamos uns dos outros, e precisamos de atividades sociais. Quando os alunos da classe estão mais interessados no que Johnny vai fazer esta noite ou no que Mary está vestindo, estão agindo a partir de sua natureza social. A noção de uma comunidade de alunos e de comunidades escolares trabalhando juntas e aprendendo sobre comunicação é muito importante. A noção de aprendizagem cooperativa se ajusta a esse quadro. Deveríamos ser bons nessas coisas porque elas são impulsos inatos que temos. Mas precisamos administrá-las melhor.



Seis Princípio Seis: Todo cérebro simultaneamente cria partes e todos.
Visitamos diversos neurocientistas por todo o país para discutir nossos doze princípios com eles. Uma das coisas que vimos foi que eles hesitavam muito em falar com educadores porque temiam o que faríamos com as informações. Os educadores foram arrebatados pelas pesquisas sobre os hemisférios esquerdo e direito. Basearam firmas de consultoria nelas. Mas para os neurocientistas nós simplificamos demais o assunto. Porque quando consultamos as pesquisas dissemos: "É, tem alguma coisa nessa teoria dos hemisférios". Mas a mensagem real para nós educadores é que precisamos apreender os dois lados, o que fazemos na vida real. Enquanto educadores nos queremos que os alunos usem o hemisfério esquerdo e o direito; queremos estratégias para a totalidade do cérebro. Assim a doutrina do cérebro direito/esquerdo tem algum significado, mas ela é mais útil como uma metáfora para o fato de que o cérebro processa partes e o todo simultaneamente.
Making Connections: Teaching and the Human Brain, de Renate Caine.



Sete Princípio Sete: A aprendizagem envolve tanto a atenção concentrada como a percepção periférica.
Pense sobre a aula em onde você está. Quais são as mensagens periféricas inerentes a uma aula como esta? Quais são as mensagens sobre a maneira como você se comporta? Os periféricos têm papel importante. As crianças aprendem a partir de tudo. Tudo vai para o cérebro. Nos primeiros anos elas literalmente se tornam suas experiências. Portanto o ambiente é muito importante, e se elas aprenderem alguma coisa em sala de aula e nunca a utilizarem fora da sala de aula, esse aprendizado, essas conexões, param por aí. Em outras sociedades as crianças são imersas na aprendizagem nas escolas, em casa, na comunidade. Seu conhecimento é usado e expandido. Elas interagem entre si nesse rico meio ambiente.



Oito Princípio Oito: A aprendizagem sempre envolve processos conscientes e inconscientes.
Nós aprendemos muito mais do que conscientemente entendemos. A maioria dos sinais que são percebidos perifericamente entram no cérebro sem que estejamos conscientes e interagem em níveis inconscientes. Por isso dizemos que os alunos se tornam suas experiências e se lembram do que experimentaram, não apenas do que lhes foi dito.

O que chamamos de "processamento ativo" permite que os alunos revisem o que e como eles absorveram, de modo que começam a dominar a aprendizagem e o desenvolvimento do significado pessoal. Nem sempre o significado está presente na superfície. Quase sempre o significado acontece intuitivamente, de maneiras que não compreendemos. Assim, quando aprendemos, usamos processos conscientes e inconscientes. Ao ensinar, você pode não alcançar o aluno imediatamente, mas dois anos depois ele pode estar em outra série e dizer: "Agora entendi". Você faz parte disso, mas não está mais presente.



Nove Princípio Nove: Temos pelo menos dois tipos de memória: um sistema de memória espacial e um conjunto de sistemas para memória mecânica (NT - aprender de cor).
O sistema de memória espacial (ou sistema autobiográfico) não precisa de ensaio e permite uma lembrança instantânea das experiências. É muito importante que os educadores entendam esses dois sistemas e como eles funcionam. No sistema classificatório da memória as coisas são aprendidas de cor. Memorizamos informações, mas isso não quer dizer que podemos utilizar as informações. O sistema classificatório nada tem a ver com a imaginação ou com a criatividade. Ele se ajusta prontamente ao modelo de processamento de informações da memória. Com esse sistema, os alunos são motivados por recompensa e punição; muitas tentativas são necessárias, quase sempre; e o cérebro cansa-se com facilidade, já que há uma tensão sobre um número limitado de células cerebrais. É nesse modelo que as escolas se baseiam. Nós limitamos a educação a programar esses sistemas classificatórios e a "ensinar para a prova". Você pode ver por que as pessoas dizem que o nosso sistema educacional se baseia no ensino para a prova (esquecendo-se dela depois) e não tem grande sucesso?.

O sistema de memória local é muito global. Não enfatiza nenhuma área em particular. Quando você experimenta algo profundamente significativo, você está criando aquelas novas conexões. As coisas são apreendidas todas ao mesmo tempo. As experiências da memória local se registram automaticamente. Isso tem motivação na novidade, e está sempre operante. Você não pode interromper esse sistema e ligar o sistema classificatório dizendo: "pare isso e memorize aquilo". Memorização é memorização, não aprendizagem.

Aprendizagem significa que as informações se relacionam e estão conectadas com aquele que aprende. Se não for assim você tem memorização, mas não aprendizagem. Existem coisas que temos que memorizar, coisas que precisam ser repetidas. Tábuas de multiplicação são muito úteis, mas queremos ter certeza de que as crianças entendem o conceito de multiplicação.

Esse sistema de memória local reúne tudo como num retrato. Você não está apenas vendo uma coisa de cada vez e somando-a, como numa fórmula matemática, chegando a um resultado. A grande mensagem da pesquisa sobre o cérebro é que as partes estão contidas em um todo, e que o todo tem partes. Parece muito simples, mas não é quando você começa a desenvolver suas aulas.
Making Connections: Teaching and the Human Brain, de Renate Caine.



DezPrincípio Dez: O cérebro entende e lembra melhor quando os fatos e as habilidades estão encaixados na memória espacial natural.
A solução é encaixar o aprendizado classificatório através da imersão dos alunos em ambientes de aprendizagem bem orquestrados, vivos, de baixo conteúdo ameaçador, e altamente desafiadores. Precisamos tirar as informações do quadro-negro, fazê-la viver nas mentes dos alunos, e ajudá-los a fazerem conexões.



Onze Princípio Onze: A aprendizagem é melhorada com desafios e inibida com ameaças.
Em sala de aula, "reduzir a marcha" é visto como uma ameaça relacionada a uma sensação de impotência. Tem implicações nas provas e na passagem de uma série para outra, na noção do professor como um controlador, na investidura de poder, nos objetivos de desempenho. O aluno deve se preocupar em aprender. Não que deixemos de lado objetivos de desempenho ou provas, mas precisamos entender o que estamos fazendo ao cérebro humano sob essas condições.

Estou fazendo algumas pesquisas sobre como certas condições afetam os que aprendem, e se você está pensando nos desistentes, posso lhe dar uma fórmula que produzirá alguns deles: o profeesor está no controle; há resultados pré-determinados; o aluno é classificado sem se atentar para o feedback; e existem limites temporais para a atividade. Isso fará com que alguns alunos reduzam a marcha, deixem de gostar do aprendizado, e fiquem totalmente desmotivados. Por outro lado, os alunos que são os "bons" nesse processo tornam-se peritos em fazer provas.

O hipocampo, que se localiza um pouco acima de seu nariz e de suas orelhas, no centro onde se interseccionam, é parte do sistema límbico. Proporcionalmente, tem mais receptores de hormônios de estresse do que qualquer outra porção do cérebro.Também é fundamental na formação de novas memórias, e está ligado à função de indexação do cérebro. Permite que façamos conexões, liguemos novos conhecimentos aos que já estão no cérebro. É como a lente de uma câmera, e sob ameaça relacionada à inermidade, fecha-se. Voltamo-nos então para comportamentos bem entrincheirados. Abre-se quando somos desafiados e estamos em estado de "alerta relaxado". Quando aquele que aprende recebe poder e é desafiado, você começa a obter a possibilidade máxima de conexões. Por isso é que o cérebro precisa tanto de estabilidade quanto de desafio. Se a estabilidade de curto prazo for perdida, então a estabilidade de longo prazo deve ser substituída.

Muitas crianças vão para a escola com a marcha reduzida porque vêm de um ambiente ameaçador. Há ameaças no lar - as relacionadas ao abandono de uma forma ou de outra são provavelmente as mais destrutivas de todas. As crianças de lares estáveis podem reduzir a marcha um pouco e ficar bem. As crianças que vêm de um lar onde haja instabilidade e um sentido de abandono não podem reduzir a marcha temporariamente. Elas precisam de mais estabilidade em sala de aula.

As técnicas de relaxamento são a única coisa que conhecemos que revertem os hormônios do estresse do corpo que resultam de uma tensão relacionada a ameaças e que se acumulam com o decorrer do tempo. Precisamos interromper esta incrível roda de moinho em que estamos. O descanso é a base da atividade. Perceba como você se sente bem depois de umas férias. Precisamos ensinar às nossas crianças que a aprendizagem leva tempo. E as crianças precisam compreender seus ritmos naturais. Precisamos de um ambiente ordenado. Precisamos entender melhor nós mesmos e nossas necessidades. Precisamos reconhecer nossas necessidades de rituais, de ordenação. Nossos ritmos são muito fundamentais para quem somos, e precisamos trabalhar com eles.



Doze Princípio Doze: Todo cérebro é singular.
Atentos com os estilos de aprendizagem e modos singulares de padronização. Nós temos muito em comum, mas somos também muito, muito diferentes. Precisamos entender como aprendemos e como percebemos o mundo, e saber como os homens e mulheres vêem o mundo de maneira diferente.

"http://www.talkingpage.org/artic011.html", Tradução: Pedro Lourenço Gomes

sábado, 28 de novembro de 2009

¡Melhore Sua memória (3)


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"Melhore Sua memória (3)!"
"Não é Melhor Aprender a Aprender?"

Há um grande número de técnicas para melhorar a memória, mas eles tendem a agir em um determinado tipo de memória só, seja através da mnemotecnia, repetições de um mesmo estímulo, ou a criação de mapas conceituais (dar sentido às coisas que não necessariamente tem no sentido, para aprendê-las mais facilmente).

Joseph Novak tem dedicado considerável tempo ao estudo de mapas conceituais (ver Novak, 2003) observou um aumento significativo na capacidade dos estudantes de física do ensino médio para resolver os problemas através do uso destas técnicas. Este trabalho ainda carece de um estudo de imagens cerebrais para definir as áreas cerebrais ativadas durante estes diferentes processos. No entanto, foi observado que diferentes áreas do cérebro são ativadas, dependendo se o assunto é um novato ou não no assunto em questão.

Mais estudos neurológicos são ainda, portanto, precisos para entender como funciona a memória. Consideráveis diversidades individuais existem, e os mesmos indivíduos irão utilizar a sua memória de forma diferente durante todo o tempo em função da sua idade.

No entanto, a ciência tem confirmado o papel desempenhado pelo exercício físico, o uso ativo do cérebro, e uma dieta bem equilibrada (incluindo os Ácidos Graxos Omega-3), para desenvolver a memória e reduzir o risco de doenças degenerativas.

Questões relacionadas com a utilização da memória nos métodos de ensino atual e, em especial para o papel crucial desempenhado pela memória do estudante na avaliação e certificação dos sistemas de educação da OCDE, provavelmente terá que ser repensada no futuro à luz das novas descobertas da neurociência. Muitos programas confiam mais na memória do que a compreensão. A questão "não é melhor aprender a aprender?" Não podem ser respondida através de neurociência, mas permanece pertinente.

"Understanding the Brain", The Birth of a Learning Science, 2007, page 121